Presidente vem a Sergipe para inauguração de usina nesta segunda; entidades sindicais colocam outdoors com ‘Fora Bolsonaro’

“100 mil mortos por Covid-19! Em defesa da vida, do emprego, da renda e dos direitos, Fora Bolsonaro”. Estas são as palavras dos outdoors preparados pelos sindicatos e movimentos sociais para recepcionar Bolsonaro, que vem a Sergipe nesta segunda-feira, dia 17 de agosto. Os outdoors foram colocados em frente ao aeroporto e ao longo do trajeto de Bolsonaro em Aracaju, por Laranjeiras e também na Barra dos Coqueiros.

A ação foi construída pela CUT, CTB, CSP-Conlutas, UGT, Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo, Fórum Negro, Comitê Sergipano Popular pela Vida e UNE.

Um dos objetivos da viagem de Bolsonaro a Sergipe é inaugurar, na Barra dos Coqueiros, a Termelétrica Porto Sergipe, idealizada e projetada no governo da presidenta Dilma Roussef (PT). Em 2014, o governo Dilma abriu o leilão que teve a empresa Celse como vencedora. Depois do golpe contra a presidenta Dilma, no dia 28 de setembro de 2016, a Celse lançou a pedra fundamental para a construção da UTE, Termelétrica Porto Sergipe.

O geólogo Eugênio Dezen, com passagem pela gerência executiva da Petrobras no Rio de Janeiro, ex-presidente da Codise e Sergás em Sergipe, conhece bem o projeto iniciado no Governo Dilma.

“A Termelétrica Porto Sergipe faz parte de um projeto maior com mais duas termelétricas. É um projeto interessante para o País poder crescer, então é bom para o Brasil. É preciso da disponibilidade de energia térmica para complementar as demais fontes energéticas”, explicou Eugênio Dezen.

Por outro lado, Dezen explica que o Brasil e o mundo vivem um momento bem diferente. “Em 2014, quando a proposta foi concebida, o PIB do Brasil estava crescendo em 4,7%. Hoje o PIB brasileiro tem um crescimento negativo. O Brasil foi vítima de tantas sabotagens políticas que fizeram nossa economia retroceder e chegar a um consumo menor de energia, levando a uma sobra neste momento”, explicou.

Poucas são as vantagens para a população de Sergipe, no contexto atual, com a inauguração da Termelétrica. “Sergipe seria beneficiado com aumento de arrecadação caso não tivesse concedido tantas isenções, mas o estado abdicou de uma série de tributos e o benefício para Sergipe é pequeno. Uma térmica deste feitio necessita de pouca mão de obra, é altamente automatizada, os principais equipamentos e máquinas utilizados em sua construção, bem como o navio regaseificadores, são importados deixando de gerar empregos e tecnologia no Brasil”, destacou Dezen.

Segundo Eugênio Dezen, a inauguração da Termelétrica não vai surtir nenhum benefício para a população em termos de redução do preço do gás de cozinha ou do gás automotivo. “O preço do gás reduziu, porque o preço do petróleo caiu para a metade. A energia produzida pela Termoelétrica beneficiará a economia quando o país voltar a crescer, sem grande impacto no estado”, acrescentou.

Arrendamento da Fafen/SE e Fafen/BA

No município de Laranjeiras, Bolsonaro tem outro compromisso na antiga Fafen, hibernada em seu governo gerando um impacto negativo para a economia local. Com o arrendamento pela Proquigel, a empresa passou a assumir o controle das Fafens Bahia e Sergipe pelos próximos 10 anos, além das fábricas, o arrendamento inclui os terminais marítimos de amônia e uréia no porto de Aratu, na Bahia.

De acordo com Deyvid Bacelar, Coordenador Geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), o valor de R$ 170 milhões pelo arrendamento das Fafen/SE e Fafen/BA, correspondente ao período de 10 anos, foi um péssimo negócio para Sergipe e para o Brasil.

“Estamos diante de um processo de desmonte do estado brasileiro e de entrega do patrimônio público brasileiro para o capital privado. A gestão Castelo Branco (atual presidente da Petrobrás), assim como Paulo Guedes e Bolsonaro, tem se movimentado no sentido de uma vingança ao Norte e Nordeste no Brasil, onde tivemos uma votação expressiva contra ele nas eleições presidenciais”, apontou.

Acesse o link e confira a matéria completa: “Desmonte da Petrobrás em Sergipe é vingança de Bolsonaro contra o Nordeste”, diz FUP.

Nada de Bom

Para Roberto Silva, presidente da CUT/SE, o povo sergipano não tem nada a comemorar nesta segunda-feira, nem com a vinda de Bolsonaro ao Estado – que tem feito uma péssima gestão na luta contra a Covid-19, nem pelas inaugurações que partem de uma visão do ‘Brasil privatizado’ sem qualquer benefício para a população.

“Fechar a Fafen/SE e a Fafen/BA foi um atentado contra os trabalhadores, contra a população e contra a economia. O Brasil, os Estados e a população só perdem com a privatização. A Fafen produz uréia e fertilizante. Como fica a agricultura que produz os alimentos que colocamos na mesa? Como fica a nossa soberania nacional? Como fica a agroindústria que tem peso fundamental para a economia nacional? Tudo isso fica entregue nas mãos da iniciativa privada”, afirmou Roberto Silva sobre a Fafen arrendada.

O presidente da CUT/SE também criticou a postura do governo de dar uma série de incentivos para a Celse prejudicando todo o setor industrial de Sergipe. “Entendemos que a Celse não deve ter um tratamento diferenciado das demais indústrias, pois isso não é motivo de comemoração, mas de lamentar a política de estado que só promove as grandes empresas ao invés de incentivar também as pequenas empresas, que inclusive geram mais empregos”.

Da Assessoria de Imprensa

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