Cemitério de Maruim está entre os mais de 500 em SE que funciona sem licença ambiental

O Cemitério Cruzeiro do Novo Século, localizado no bairro Lachez, em Maruim, (SE), está entre os mais de 500 espalhados pelos 75 municípios sergipanos, que seguem funcionando sem a licença da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), que tem com o objetivo minimizar os impactos ambientais provocados pelo material decomposto.

Obra da ampliação do Cemitério de Maruim paralisada | Foto: Hefraim Andrade

De acordo o órgão ambiental do Governo de Sergipe, apenas quatro cemitérios em todo o Estado estão licenciados: um particular em Itabaiana; o crematório de Itaporanga; o que fica dentro do convento das irmãs Carmelitas, em Propriá; e outro em Lagarto, que está em processo final, apenas faltando a Licença de Instalação.

O único cemitério de Maruim, encontra-se superlotado e com problemas que ameaça à saúde pública. No último sábado, (23), mais um episódio de constrangimento foi registrado por um maruinense, que denunciou a superlotação e flagrou ossos humanos expostos ao tempo, durante o enterro do pai.

O corpo do pai do maruinense foi sepultado em uma cova rasa o que causou revolta e indignação.

“Infelizmente meu pai vai ter que ser sepultado assim, enterrado dessa forma: em cova bem rasa. Isso é um caos!”,

desabafa o maruinense no vídeo.

Obra da ampliação paralisada

Após uma guerra judicial, a obra da área com 3 mil m² para ampliação do Cruzeiro do Novo Século, que virou promessa da campanha do prefeito Jeferson Santana, (MDB), como a maior obra já realizada por sua gestão, segue paralisada.

Em outubro de 2018, o medbista autorizou o pagamento do espaço. No mesmo ano, a Prefeitura de Maruim, garantiu que uma limpeza seria realizada junto com a terraplanagem do terreno, mas não executou o serviço. 

Em 2019, entre denúncias do Maruim em Pauta sobre a superlotação, que repercutiram na Câmara de Maruim, na TV Sergipe e TV Atalaia, o prefeito informou que faria a terraplanagem no mês de fevereiro, mas não cumpriu o prazo. Os trabalhos só vieram ser iniciados, em agosto daquele mesmo ano, após novas denúncias na imprensa sergipana.

Em fevereiro de 2020, durante discurso no retorno dos trabalhos da Câmara de Maruim, Jeferson Santana, anunciou investimento na parte estrutural da ampliação do Cruzeiro do Novo Século, mas até o momento nenhum trabalho foi iniciado.

Você sabia?

Sem mencionar a repercussão negativa para a gestão municipal, após a divulgação do vídeo do maruinense que denunciou à superlotação no Cemitério de Maruim e flagrou ossadas humanas expostas ao tempo, a Prefeitura de Maruim publicou um informe mencionando a Lei Nº 2.848/1940, que trata do vilipêndio de cadáver.

Imediatamente, seguidores da page do governo, regiram ao post que, nitidamente quis ‘criminalizar’ alguém, para se ausentar das responsabilidades. O Cemitério Cruzeiro do Novo Século é de total administração da Prefeitura de Maruim.

“Isso é por causa do vídeo que fizeram hoje? Sobre a superlotação de cadáver? Pois aquele vídeo só tinha fato verídico, onde mostrava a real situação do Cemitério de Maruim; não há espaço para sepultamento algum. Acredito que as autoridades do município deve tomar uma providência urgente”,

afirmou um seguidor.

“…O vídeo só mostra a realidade. E, é uma vergonha ter uma situação como essa. Agora, fica postando que é crime e na verdade faz de conta que não está vendo nada…”,

criticou uma seguidora.

Em nota, o escritor, poeta e artista maruinese, Hefraim Andrade, comentou sobre mais um episódio constrangedor para mais uma família maruinense no Cruzeiro do Novo Século. Em 2018, ele criou a campanha #SalvemosNossoCemitério, com intuito de preservar os túmulos centenários.

Aroldo Firpo em visita ao túmulo do tetravó João Firpo, acompanhado do escritor Hefraim Andrade, da historiadora Lúcia Marques e do jornalista Lohan Muller em 2018 | Foto: Arquivo Pessoal

Através desta iniciativa, a campanha atravessou as divisas territoriais, chegando a uma família dos Estados Unidos, que procurava o túmulo de um importante comerciante italiano que morreu em Maruim, em 1899. 

“Quando a temática “cemitério” é posta em discussão, a visão mais superficial dirá: “o lugar onde sepultam-se os mortos”; os religiosos dirão: “o lugar de repouso de nossos entes queridos”; e os esclarecidos: “um lugar de memória donde podemos aprender sobre as sociedades que existiram antes de nós”.

E eu percebo tudo isto na sociedade maruinense atual quando fala-se do Cruzeiro do novo Século, nossa necrópole. Leigos sabem de sua importância, religiosos saem de suas casas para acenderem velas pelos seus mortos e estudiosos vêm de perto e de longe, como do Rio de Janeiro, Rio Grande de Sul e mesmo dos Estados Unidos, como eu próprio e outros testemunhamos, para terem uma pequena oportunidade de conhecê-lo, como se fosse um Museu de grande atração.

Há um bom tempo nosso cemitério sofre com problemas de várias naturezas e sabemos disto; não há como negá-lo. Creio que ninguém deseja provar o nível da dor de alguém que deseja sepultar um familiar e não o pode (espero não chegarmos a isso) ou por ter de sepultá-lo junto doutro falecido que si quer conhece. Pelo que noto não há mais espaço e temos um novo terreno para a edificação de outro cemitério e estou ciente de que muitos o aclamam para sanar o problema: o da Demanda, o do Respeito aos mortos, e o da Preservação da história de Maruim – Visto que jazigos centenários importantíssimos correm o risco de desaparecer e levar consigo seus segredos;

Discussão que deveria ser levada em conta pelos governantes, vez que em sociedades mais desenvolvidas, como a francesa, a noção de Patrimônio e Nacionalidade teve seu marco na Revolução Francesa, quando, segundo Lívia Morais Silva, Mestranda em História da UFPE, “o patrimônio passa a ser preocupação oficial, sua manutenção uma responsabilidade do Estado”.

O desenvolvimento não pode estar ligado a ideia de destruição do que é velho em benefício do progresso.

Ainda confio na sensibilidade dos maruinenses, conhecidos por serem “bons e hospitaleiros” para que ouçam meu singelo apelo. Estou profundamente triste com a situação de nosso Campo Santo, pois Maruim não merece isso, merece ser brilhante, radiante e um exemplo para outras cidades”, finaliza a nota.

Da Redação | Maruim em Pauta

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