Maruim 166 anos, o momento é de resguardo | Por Lohan Muller

O momento é de resguardo. Por ela, pelos seus filhos. Maruim completa 166 anos, e talvez ela não exija nada mais que cuidado da sua parte e suplica: ‘Por favor, fique em casa’. Eu sei que não está sendo fácil, os dias parecem estar mais longos, dá agonia, desespero e muitas vezes a gente chora. Há muito tempo não vivíamos sob tanta tensão. Hoje, estamos vivendo com medidas restritivas, em meio ao novo coronavírus, por um período que nem sabemos quanto vai durar.

Vista panorâmica Maruim | @lohanmuller_jor

Distanciados, isolados, estamos impedidos de nos tocar, abraçar, afagar — característica tão nossa. Não podemos contemplar os Templos de Fé, onde encontramos nossa paz, tão pouco o Templo de Luz, onde reabastecemos nossa sabedoria. Não podemos contemplar as tranquilas águas do Rio Ganhamoroba, que tingem de prata-mar no final de cada tarde, o caminho por onde o Imperador Dom Pedro II passou — uma Força da Natureza, presente na vida dos pescadores, marisqueiras que quase não navegam mais para buscar seu sustento entre os manguezais nativos que margeiam o caminho das águas reais.

Não podemos percorrer as ruas, avenidas, becos, povoados, vielas e favelas para reencontrar os traços da nossa história, que ainda resiste aos Tempos Modernos. Não podemos sorrir. Mascarados, nossa comunicação tem sido mais pelo olhar. Já não se ouve com frequência, o movimento dos carros, motos, carroças e passos. As crianças? Como estão suportando? Nunca mais ouvi seus gritos na ida ou na volta das escolas que estão fechadas. Impera um silêncio tão ensurdecedor algumas horas, que chega a doer.

Maruim, nos ares de glória, ganhou o título de ‘cidade pacata’. O tempo passou e esta característica foi ressignificada: ganhamos movimento, mesmo que hoje estando silenciado. Ainda não somos, o que merecemos ser, os últimos tempos foram injustos com nossa ‘Menina, com traços de mulher’, mas não tenham dúvidas que muitos continuam lutando para honrar a herança dos ancestrais dela.

Maruim rompeu todas as divisas territoriais. Foi rendida, aclamada, como nenhuma outra cidade no Brasil e no Mundo. Todos os seus descendentes tem o dever de zelar por seu nome, sua história e por tudo que a continua fazendo uma verdadeira apoteose.

É preciso acreditar que isso vai passar. Vai passar! Pede aos seus santos, orixás, guias, eles te ouvem! Pedem misericórdia a Deus, Olorum, Jesus, Javé, Jeová pelos seus, por ela, por nós! A fé, nas suas variadas formas — assim como o conhecimento — sempre foi o pilar da nossa salvação.

De qualquer sorte, é preciso lembrar que Maruim já passou por outros momentos delicados na história, como as lutas pela independência e até mesmo contra outras epidemias, como a cólera no século XIX ou a gripe espanhola, há pouco mais de um século. E, com certeza, vai superar mais esse momento.

Parabéns, Maruim! Boa sorte nesse futuro. E, principalmente neste momento, todos nós te desejamos saúde.

Lohan Muller é jornalista — DRT 2391/SE, pesquisador em história. É Repórter, Apresentador e Assessor de Comunicação. Escritor e autor das obras: Ser Maruinense, (2015); Viva o povo maruinense, (2016); Maruim é universal, (2017); Maruim, onde está a sua luz? (2018) e Um dia qualquer em Maruim, (2019).

É imortal da Academia Maruinense de Letras e Artes, (AMLA) e ocupa a cadeira de Nº 16, cujo o patrono é o jornalista maruinense, Jurandir Santos.

Contato: lohanmuller@gmail.com

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