O Que é ser Maruinense?| Por Hefraim Andrade

O Que é ser Maruinense?| Por Hefraim Andrade

Na noite passada (30), detive-me, um pouco, à porta do agora confrade Gilson de Paulo, à Rua da Cancela, onde residimos, para conversarmos – conversas, vale salientar, sempre agradabilíssimas e bastante proveitosas. – Após deixá-lo, a ele e aos que com ele estavam, comecei a meditar sobre o que é ser maruinense, – gentílico que significa “aquele ou aquela que é próprio de Maruim”. – E devaneando, recordei d’algumas situações e vivências minhas, remotas e recentes. Uma delas a minha visita à Sociedade Musical Filarmônica Euterpe Maruinense, fundada em 1875, ao dia 22 deste, por ocasião de seu segundo recital, para o qual não pensei duas vezes em pôr um de meus melhores e formais trajes, dada a ocasião e o lugar singulares. Lá chegando, encontrei-me com figuras e rostos conhecidos, como o do próprio senhor Gilson de Paulo, o da professora Sônia Maynart e o da consóror e professora Maria Amélia, dentre outros. Àquele recanto acalorado, pude estar próximo de crianças e jovens maruinenses que mostraram todos os conhecimentos adquiridos durante o ano, para o contentamento e deleite de seus mestres-escolas, pais e público. Fora satisfatório demais conhecê-los e deles ser conhecido, vez que será sua geração que contará a história da Maruim que viveram, – missão confiada a cada idoso, adulto e criança capaz de fazê-lo. – Contar, por exemplo, que costumavam assistir os desfiles próprios do dia da Independência, que frequentavam a praça Barão de Maruim, o Gabinete de Leitura, a pista de skate; que jogaram football nos campos que dispomos – o que dá-nos sensação de pertencimento, de domínio de memórias, memórias que levarão consigo para o ano que haveremos de entrar e, semelhantemente, para outros tempos e gerações, como eu mesmo trouxe comigo muito da geração na qual vivi para esta, pois não esqueço que frequentei os bares dos saudosos “Amigão” e Jaime; que cresci ouvindo histórias contadas por Manoel Teles, em seu açougue, à travessa da Rua da Cancela; que andava em casa da saudosa “Idalice”, que conheci os senhores “Zé” e Nair Maia, que caminhai pelos trilhos da velha via férrea; – É impossível esquecer que ouvimos as batidas de “Ambrósio”, o relógio que fica à torre direita da Paróquia Senhor dos Passos; olvidar as farmácias, os mercados, as lojas que entramos e compramos, e mesmo da relação que temos com seus proprietários ou funcionários; das visitas à praça da Igreja de Nossa Senhora da Boa Hora, com ou sem a companhia de um (a) amigo (a), namorado (a), quem sabe; das caminhadas meditativas pelas ruas de pedra históricas… Ah… Ser maruinense também é absorver o que é próprio de Maruim; como as piadas mórbidas e embebidas em sarcasmo que ouvimos, repetimos e criamos, como: “aqui quando morre um morrem três em seguida”; “Maruim é uma cidade em construção”, “aí é outro elefante branco”, “em Maruim pode atrasar até o salário, mas não uma boa piada”… É ouvir as vozes e os passos daqueles que, debaixo dos primeiros raios solares, vão às padarias. Saber que, ainda bem cedo, há movimento no entreposto de pesca; donde de madrugada, muitos dos homens que lá circundam saem para pescar. – Ser maruinense é participar das decisões políticas, dos benefícios e malefícios, opinar, dizer que o atendimento de tal médico é muito bom ou péssimo; que comeu uma iguaria saborosíssima no povoado oiteiros; relatar as boas e gentis amizades que são cultivadas no povoado João Gomes de Melo, o Pau-ferro, e assim por diante. -Gente… Satisfaz-me a mim cantar e balbuciar o Hino de Maruim, composto pelo ex-prefeito Wilson Dias de Mattos, o “alemão”, avô de um colega meu, Alberth, com Roberto Becker, e revivido pelo meu confrade e maestro Beethovem Sales de Assis, hino que é brilhantemente executado pelos músicos que rege. Inclusive, alegra-me saber também que em algumas das nossas escolas, muitas crianças o conhecem e até o sabem de cor. Que têm noção de que nosso município é histórico; que entendem um pouco sobre quem foram Otto Schramm, o Barão de Maruim e que o Bairro Lachez tem este nome por conta de um francês que ali vivera… Ser maruinense é brigar pelo bem-estar desta cidade, é, por incrível que pareça, voltar a vê-la durante o sete de setembro, durante os períodos eleitorais, dia dos finados, mesmo morando em outras cidades e até noutros Estados. Por fim, sou cônscio de que muitos que lerão o que aqui escrevi, decerto lembrar-se-ão, identificar-se-ão, rirão, pensarão… E esse é meu objetivo! O de despertar a “alma maruinense” em mim e em muitos, para que valorizemos às nossas história, cultura e tradições, e não repitamos os erros passados, coisas que atrapalham nossos desenvolvimento e evolução; coisas dantes advertidas pelo filósofo irlandês Edmund Burke (1729 – 1797), cujo pensamento é bastante atual, a saber,“um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”. – Um feliz e excelente ano novo a todos os maruinenses.

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| Hefraim Andrade é ativista, escritor, membro fundador da Academia Maruinense de Letras e Artes e integrante do Cumbuka Coletivo Cultural. | 

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