Trajetórias, Glórias e Memórias do Templo do Saber de Maruim: A Era Contemporânea

Uma linha do tempo foi traçada pela equipe do Maruim em Pauta sobre as Trajetórias, Glórias e Memórias do Gabinete de Leitura de Maruim. Neste quarto capítulo, da série de reportagens, assinada pela escritora, cordelista, poetisa e bibliotecária, Joelma Martins, viajaremos na contemporaneidade do Templo do Saber em quase um século e meio de existência ou resistência.

A ERA CONTEMPORÂNEA DE UM TEMPLO HISTÓRICO

Hoje, aos seus 142 anos, respira em seu ambiente a lembrança de um século iluminado em que o brilho que ali existia, correspondia ao dos livros e ao dos intelectuais do conhecimento, que transformam o ambiente com literatura e poesia. Século este em que ao adentrar no salão máster, um perfume inebriante de conhecimentos irradiava a todos e contagiava o lugar. Tudo isso era comprovado nas expressões de Joel Aguiar “Deste sólio de saber, irradiaram primorosos conceitos sobre a Justiça e benditas opiniões sobre Liberdade.” (Aguiar, 2004).

E ao mesmo tempo em que saudade, nos faz retornar a um tempo em que em terreno fértil era lançado uma semente, uma imensa árvore majestosa fora cresceu e os frutos que ela proporcionava estava nos livros. Ali, o conhecimento era o orgulho de um homem. Foi adubada durante meio século pelas mãos fortes daqueles que iniciaram sua primeira diretoria e que ali deixou seus sonhos e melhores recordações de um tempo tão rico em cultura. E hoje, em seu “quase” século e meio de existência, continua resistindo com o pouco do que lhe resta, suas estantes e seu precário acervo histórico.

A real existência está limitada apenas à “memória” daquilo que representou um dia para sua cidade, servindo apenas como uma prova palpável para pesquisadores ou interessados pela sua história. Sua permanência de pé esta condicionada a um trabalho minucioso de higienização e restauração, porém se faz necessária medidas urgentes e imediatas para que sua história não seja apagada. A responsabilidade é de todos nós maruinenses, que amamos nossa cultura e nossa memória

No prédio do próprio Gabinete de Leitura, com seus 2 mil livros apenas para exposição, dos quais mil precisam ser restaurados, funciona também a Biblioteca Municipal Josias Vieira Dantas, com seu acervo circulante de aproximadamente 8 mil livros, incluindo revistas e literatura de cordel, estão disponibilizados à população geral, em forma de empréstimo ou leitura no local, o que aproxima o leitor ao livro de forma simples e satisfatória na medida do possível. O importante é saber que a história dos homens que mencionei no início da série não morreu, porque sua essência, que é a leitura, está sendo apagada, acompanhada com a mediação da informação dentro da biblioteca. E isto já é bastante louvável neste aspecto.

O que aconteceu a esta Instituição Literária já não tem mais nenhuma importância se foi (Caixa Econômica, velatório, espaço para festas inapropriadas) tudo isso ficou no passado. O importante é sabermos que somos responsáveis pela preservação da nossa história e devemos contribuir sim, contribuir seja de que maneira for, para melhorias em nosso município, pois só assim no futuro alguém falará de nós, como hoje estou a elogiar os grandes homens que nos deram este maravilhoso Templo do Saber.

Termino com uma citação do Grão Mestre Dr. Joel Aguiar:

“Uma vez fundado, o Gabinete começou a trilhar no caminho da prosperidade porque sempre foi independente e sempre viveu alheios às paixões políticas, as quais só fazem estrangular, asfixiar e matar nossos empreendimentos, amortecer o calor e o fogo das nossas brilhantes cruzadas, crestar e amortalhar nossos elevados e nobres ideais.”

Aplausos choveram e choverão incansavelmente para esses homens. Obrigada, meus mestres!

Um abraço!

Joelma Martins


| Joelma Martins é Licenciada em Letras Português (UNIT) e Bacharel em Biblioteconomia e Documentação (UFS). Pós-Graduada em Didática do Ensino Superior e Gestão Educacional. Escritora, Cordelista, Poetisa, Bibliotecária do Gabinete de Leitura de Maruim e imortal na Acadêmica Maruinense de Letras e Artes, ocupa a cadeira Nº 8, cujo a patrona é Josilda de Mello Dantas. | 

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