Trajetórias, Glórias e Memórias do Templo do Saber de Maruim: A Era das Luzes

Uma linha do tempo foi traçada pela equipe do Maruim em Pauta sobre as Trajetórias, Glórias e Memórias do Gabinete de Leitura de Maruim. Neste segundo capítulo, da série de reportagens, assinada pela escritora, cordelista, poetisa e bibliotecária, Joelma Martins, viajaremos pela  propagação das letras e das artes no Templo do Saber.

A ERA DAS LUZES

Um grande templo surge, uma nova luz se acende, “um povo que outrora vivia em trevas, agora encontra a luz”.  Não foi uma luz qualquer, mas a luz do saber e do conhecimento, como é apresentado por Joel Aguiar, não era apenas um espaço de recreio para os sócios, foi muito além disso, era para a pequenina cidade um passo muito importante para o seu crescimento cultural e econômico. A luz jamais poderá imaginar a proporção que atinge, nem até onde pode chegar o seu clarão: assim foi o Gabinete de Leitura para Maruim naquele século áureo, uma luz contagiante para seus idealizadores, que sonharam ali seus desejos de progresso e engrandecimento das letras, para maruinenses e estrangeiros que pudessem adentrar àquele bem.

Foto | Reprodução

Foi para cidade de Maruim um marco eterno de cultura e orgulho, por ele passaram grandes homens que doaram de si para a elevação daquele espaço. Homens que orgulharam nosso estado, bem como nosso país, uma vez que bebendo daquela fonte tornaram-se grandes propagadores do conhecimento no mundo inteiro. “O templo do saber e do conhecimento”, proclamado por Joel Aguiar, já não exala mais o perfume inebriante das letras. Seus dias de glória ficaram apenas na memória daqueles que conseguiram ou conseguem enxergar o seu brilho. Pois ele continua ali imponente – pois resiste a um tempo que não é mais o seu, belo – porque a sua essência impera em entre suas estantes, livros e em seu solo, recoberto por um ladrilho hidráulico belíssimo, correspondente a época da transferência para sua atual sede, forte – porque a sua persistência independe dos homens, e de pé – porque é resistente a tudo e a todos.

Hoje apenas lembrança de uma história de luta e do amor resiliente de seus fundadores por uma das mais belas de todas as artes e que reina soberana em meio ao caos que teima em existir diante de um universo tão evoluído – a palavra escrita nas suas variadas formas: poesia, romance, contos, versos… o livro, nosso companheiro inseparável, um amigo que se doa por inteiro nas linhas e entrelinhas do seu significado, nos remetendo muitas vezes a um espaço jamais alcançado em matéria física, porém experimentado e sentido no universo intelectual de seus textos outrora ainda palpáveis.

O século das Luzes foi para Maruim a presença do saber, apresentado nos livros e na oratória dos intelectuais que pisaram naquele templo, viveram e transmitiram o conhecimento das letras. Hoje apenas jaz um templo inerte e frio, carente de uma chama que o faça brilhar aos olhos daqueles que o esqueceram, ou fingiram não o enxergar, a fim de que não se sujar com o pó mortal que perfaz em suas estantes centenárias. Porém ainda permaneces de pé, resistente como as letras do livro santo, penetrante e cortante aos olhos dos infiéis!

A Luz é resistente, obstinada, teimosa, perdurável, pois foi acesa por Thomaz Rodrigues, Joel Aguiar, Josias Dantas, sócios e leitores, após estes, permaneces fechado com suas belas e admiráveis estantes de madeira, entre morfos, traças e outros bichos, mas tua essência vive nos que te admiram, te reconhecem e te valorizam (pesquisadores, historiadores, bibliotecários e estudantes), que embora distantes, torcem por seu sucesso mesmo que tardio.

A Era das Luzes, hoje é apenas a era da guarda do que ainda resta, a luz de outrora perdera seu brilho, precisa ser cuidada e preservada para que as gerações futuras encontrem nela um pouco do que foram os nossos antepassados e os valores culturais que nos deixaram como herança. Conservar o que ainda resta é dever de todos nós, continuar com a nossa história é um direito que nos assiste. Restaurar é buscar aquilo que julgamos ter perdido e trazê-lo de volta, muito embora assumindo algumas perdas.

Até amanhã!

Joelma Martins.

| Joelma Martins é Licenciada em Letras Português (UNIT) e Bacharel em Biblioteconomia e Documentação (UFS). Pós-Graduada em Didática do Ensino Superior e Gestão Educacional. Escritora, Cordelista, Poetisa, Bibliotecária do Gabinete de Leitura de Maruim e imortal na Acadêmica Maruinense de Letras e Artes, ocupa a cadeira Nº 8, cujo a patrona é Josilda de Mello Dantas. | 

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