Trajetórias, Glórias e Memórias do Templo do Saber de Maruim: A Era da Erudição e das Ideias

Uma linha do tempo foi traçada pela equipe do Maruim em Pauta sobre as Trajetórias, Glórias e Memórias do Gabinete de Leitura de Maruim. Neste primeiro capítulo, da série de reportagens, assinada pela escritora, cordelista, poetisa e bibliotecária, Joelma Martins, viajaremos pela concepção do Templo do Saber.

A ERA DA ERUDIÇÃO E DAS IDEIAS

Aquele era o tempo e aquela era a hora propícia para que tudo pudesse acontecer. E o século escolhido foi aquele. No interior de Sergipe, numa vila ainda em desenvolvimento, Maruim foi escolhida para ser um dos berços da imigração estrangeira. Eles que visitavam várias partes do país em busca de riquezas e prosperidade econômica e chegavam gradativamente à alguns estados brasileiros, consequentemente à algumas cidades sergipanas, que eram escolhidas por apresentar terrenos férteis, favoráveis aos seus negócios. Assim, obtinham lucros de modo a contribuir significativamente para o progresso econômico e cultural destas. Maruim, nesta oportunidade, se destacou por apresentar condições favoráveis para seus empreendimentos. Junto a ela estavam os municípios de Laranjeiras, Estância e Propriá que já apresentavam atividades de compra e venda de produtos oriundos do próprio estado e até mesmo de outros países.

Foto | Reprodução

Nesta ocasião, Maruim foi agraciada com a chegada de uma colônia Alemã, que aqui se estabelecendo, trouxe à pacata cidade ares de intelectualidade e progresso, elevando-a um potencial de capital. Neste solo, que recebeu tantas pessoas de outras nacionalidades quanto de outros estados brasileiros, houve uma grande revolução nos hábitos e costumes de sua população ainda em desenvolvimento. Assim, o final do século XIX foi marcado por grandes mudanças e Maruim só teve a ganhar com isso, pois elas fizeram daqui um verdadeiro celeiro cultural e importante centro comercial para o Estado.

Durante o ano de 1839, os estrangeiros alemães foram responsáveis pelo desenvolvimento econômico e cultural da cidade, pois aqui estabeleceram suas empresas, repassaram seus costumes, trouxeram o culto da leitura e dos livros para a cidade, a começar entre os participantes da sua colônia, plantando ali o hábito da leitura. A senhora Adolphine Schramm, esposa do Cônsul Ernest Schramm, aparece como a responsável fundamental do processo da leitura. Isso nos leva a crer que ela tenha criado a primeira biblioteca na cidade.

Cerca de 30 anos após a chegada dos alemães nasce em 1877 o Gabinete de Leitura de Maruim, como uma grande agremiação literária, voltada para difusão da leitura e do conhecimento entre os sócios que discutiam obras de renome internacional. Que só depois de alguns anos é aberto a empréstimos para população, tornando-se um local onde se aprendia a ler e escrever,  e onde mais tarde era ofertada aulas noturnas para os filhos dos trabalhadores da primeira fábrica de tecidos da cidade, na gestão empresarial do ilustre maruinense Josias Dantas.

Segundo Aguiar (2004), dois grandes homens, verdadeiros apologistas da literatura, Thomaz Rodrigues da Cruz (médico) e Domingos José de Macedo (comerciante) foram os pioneiros, junto com outros benfeitores conforme ata de fundação do Gabinete de Leitura de Maruim, responsáveis pela fundação desta ilustre casa do saber. Eles deram muito de si para o engrandecimento do conhecimento intelectual dos seus apoiadores.

“De quem partiria a feliz ideia de se criar um templo das letras”, indaga Joel Aguiar, “com certeza daqueles que viam nos livros o futuro de um povo, seus valores, suas memórias, sobretudo o reconhecimento de um povo que viveu o auge da intelectualidade”. E em seguida acrescenta: “tudo leva a crer que a brilhante ideia tenha partido dos senhores João Rodrigues da Cruz, Dr. Thomaz Rodrigues da Cruz e Domingos José de Macedo, foram eles quem primeiro pensou e realizou tão estupendo feito”.

Porém, nosso mestre apresenta que apenas 50 anos de glórias tenha vivido este nosso templo de luz, mas que, segundo ele, valeram muito para as tradições intelectuais de uma bela página da nossa literatura. Seus momentos de erudição foram breves, embora seu intenso apogeu tenha o colocado num elevado patamar cultural no Estado, quiçá no país, onde grandes oradores, conferencistas, poetas e jurisconsultos fizeram daquele ambiente um verdadeiro templo do saber, exteriorizando suas ideias e seus pensamentos.

Naquele magnifico recinto eram reverenciados acontecimentos de nível mundial, como o Centenário de Camões, discorrendo sobre sua vida e suas obras. A semente outrora plantada, ergueu-se de forma tão espantosa no universo das grandes ideias que o espaço se tornava cada vez menor para o número de pessoas que aderira àquela causa. O público era formado daqueles que amavam as letras e o conhecimento, que lutavam por uma sociedade culta e pensante.

Porém o momento foi aquele, o pensamento foi passado, todas as ações condizentes para o momento foram realizadas. No mundo das ideias, o ideal foi concretizado e Maruim soube receber aquele Templo, embora o tempo tenha se encarregado de fazer as mudanças. O que resta agora é prosseguir.

Até amanhã.

Joelma Martins.

| Joelma Martins é Licenciada em Letras Português (UNIT) e Bacharel em Biblioteconomia e Documentação (UFS). Pós-Graduada em Didática do Ensino Superior e Gestão Educacional. Escritora, Cordelista, Poetisa, Bibliotecária do Gabinete de Leitura de Maruim e imortal na Acadêmica Maruinense de Letras e Artes, ocupa a cadeira Nº 8, cujo a patrona é Josilda de Mello Dantas. | 

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