Maioria dos casos de abuso contra menores ocorre em ambiente familiar

No Brasil, o mês de maio é dedicado ao combate ao abuso sexual de crianças e adolescentes. Conforme dados nacionais, 80% dos casos acontecem em ambiente familiar, e apenas 2% deles são denunciados. Com experiência no assunto, a psicanalista, integrante do Núcleo Psicanalítico de Aracaju, Sonia Soussumi chama atenção para esse silêncio:

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Foto | Divulgação 

“O abuso intrafamiliar, chamado incesto, tem participação de toda a família através do silêncio. De alguma maneira, todos os membros sabem o que está acontecendo. Porque se nós todos temos a experiência de perceber em um ambiente que frequentamos com assiduidade, quando duas pessoas estão se relacionando, ou se houve qualquer briga ou estranhamento, através do clima que fica no ar, olhares diferentes, etc. Fica a pergunta: Por quê numa família, as pessoas não percebem que algo está se passando entre uma criança ou adolescente, com um adulto ou  jovem  bem mais velho? O que existe, é uma negação dos membros da família e mesmo da sociedade”, afirma a psicanalista.

A especialista atribui ao baixo índice de denúncias à própria angústia que o ocorrido gera. “Os casos identificados são poucos, por vários motivos, sendo um deles, que a denúncia em geral não é feita pela própria família, que normalmente nega quando outra pessoa faz a denúncia. Mesmo quando a criança ou púbere denuncia, em geral depois costuma desmentir, em função das consequências que a família passa a ter. O agressor pode ser afastado, mas os laços afetivos continuam junto com o ódio gerado. Cria-se na família uma crise sem precedentes, que ela procura esconder e negar para a sociedade”, explica Sonia Soussumi.

Como forma de impedir o abuso sexual infantil, a psicanalista acredita na criação de redes sociais de informação: “Orientação aos professores, diretores, vigias, para que saibam detectar qualquer comportamento indicativo, por parte dos alunos. Informação e orientação aos pais. Palestras e orientação ao judiciário, para que saibam como tratar estes casos, que em geral são analisados de forma moralista. Bem como preparar também os profissionais que trabalham com este tema: conselhos tutelares, juízes, promotores, assistentes sociais, psicólogos, médicos, enfermeiros, para se combater também o despreparo em relação ao tema”, sugere.

É fundamental que as crianças sejam observadas atentamente, pois de acordo com a psicanalista, mesmo que a criança não verbalize, os responsáveis podem identificar alguns sinais de que a criança esteja sofrendo abuso. “Os sinais poderão ser expressos em comportamentos sexuais precoces, isolamento social, agressividade, crises de choro constantes, episódios de xixi na cama (enurese noturna), dificuldades de aprendizado. A criança pode ainda não querer contato com determinada pessoa ou situação, como por exemplo, receber determinadas visitas ou ir à casa de alguém”, relata Sonia Soussumi.

Para além da prevenção, é preciso lidar de forma cada vez mais eficaz com o problema. Sendo ideal priorizar o acolhimento e tratamento de toda a família da criança. Segundo Sonia Soussumi, “A violência sexual sofrida por uma criança ou adolescente acarreta vivências traumáticas e a família precisa ter os laços emocionais restabelecidos e tratados para que a dinâmica incestuosa seja rompida”, diz.

Implantado pela psicanalista do NPA, Sonia Soussumi, Sergipe será o primeiro estado nordestino a receber o Centro de Estudos e Atendimento a Famílias Incestuosas (CEAFI), uma ramificação do trabalho desenvolvido pelo Centro de Estudos e Atendimento Relativo ao Abuso Sexual (CEARAS) – USP, em São Paulo com atividades previstas para serem iniciadas ainda este mês e funcionará através do encaminhamento dos casos judiciais ao centro.

Entretanto, as famílias em sofrimento podem buscar orientação psicoterapêutica no Núcleo Psicanalítico de Aracaju – NPA que funciona de segunda à sexta das 08h às 12h e das 14h às 17h no Centro Médico Luis Cunha, localizado na Avenida Anísio Azevedo, 675, sala 1103. Já as denúncias de crimes contra criança e adolescentes podem ser realizadas nos Conselhos Tutelares da Aracaju através do Disque 100 ou 181 da Polícia Civil.

Fonte: Assessoria de imprensa

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