Maruim à luz da poesia | Por Joelma Martins

MARUIM À LUZ DA POESIA

A poesia está onde o poeta quiser, no expressar do poeta, na alma do artista, no falar, no pensar e no agir, ali se faz poesia. É buscar no velho o novo, no feio o belo, no ódio o amor. É viver o tempo de hoje buscando incansavelmente o grande encontro com seu eu, contudo vivendo e aceitando o outro.  Maruim é a menina que enche os olhos poéticos, transformando em magia a luz que um dia irradiou o seu povo, que tanto fez e faz e sempre, sempre nos orgulhou.

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Vista panorâmica de Maruim | Foto: Luiz Pinna Jr.

Começamos o passeio pelo o grande Joel Aguiar, maior poeta que Maruim recebeu, dotado de luz intensa e verdadeiro amor por sua cidade. Grande celeiro do saber, sua admiração pelo o progresso em que vivia sua prole, o fez acreditar que ali nasceria um templo maravilhoso de Luz e Saber que ele chamou de Gabinete de Leitura de Maruim. Onde estão os livros, ali estará a luz que iluminaria a tão pacata e acanhada cidadezinha em ascensão no comecinho do século XIX. Um ser que a tornou imortal através dos seus escritos e que deu um enorme subsídio histórico e cultura à cidade. “A cidade das Luzes e Saber” muitas vezes proclamada por este magnífico poeta de amor imensurável.

Em livro “Traços da História de Maruim”, o escritor faz um grande reconhecimento à alguns nomes ilustres que muito contribuíram com nossa cidade como: O Barão de Maruim João Gomes de Melo, o poeta Cleômenes Campos, Deodato Maia, Alberto Deodato, ambos escritores, políticos, artista plástico e professor Oséas Santos, dentre muito outros nomes.

Trecho do poema em que Cleômenes Campos  (1923), faz um elogio a Maruim.

“A água suja do caís é fria e silenciosa,

Na penumbra, os lampiões são homens que erguem círios…

O céu é um vaso antigo onde sonha uma rosa.”

Outro grande homem de quem gostaria de tecer elogios é ilustre visionário e comerciante Josias Vieira Dantas, um ser dotado de intenso amor a sua cidade natal, que muito contribui com o desenvolvimento econômico e cultural, aqui depositou toda sua confiança, educou todos os seus filhos e os transformou também em amantes desta cidade. Nunca buscou glórias para assim narra seu filho Sylvio Dantas quando diz: “…Enfim, a cidade que lhe deu um motivo de vida e que graças aos seus esforços, lhe proporcionou que lhe ensejou uma vida simples e sem ostentações, porém com dignidade. ”

Trecho do livro Josias Dantas Meu Pai – memórias

Assim disse o grande e memorável poeta maruinense, pois o poeta vai além de tudo que se possa pensar, embora seu filho Sylvio não o tenha visto como um poeta de fato, porém vejo nas entrelinhas de sua obra em memória a seu pai, passagens que caracterizam um grande pensador em várias passagens do seu livro. A citar um trecho de uma carta dirigida a um de seus filhos lhe pede um conselho, pois desejaria ingressar no Integralismo, movimento político de extrema-direita da década de 40, onde segundo seu pai, ele teria que fazer um juramento de obediência aos seus superiores sem raciocinar. Seu grande ensinamento se deu nestas palavras. “Isto eu não farei nem desejava ver um filho fazer. Nem a teus pais deves obedecer sem raciocinar. Só a Deus, só aos ensinamentos dos Evangelhos Sagrados devemos obedecer e crer de olhos fechados.” (SYLVIO,p. 29).

Como a mulher vem aos poucos conquistando seu espaço na sociedade, não podemos de deixar de homenagear a uma grande maruinense que, preocupada com a história da sua cidade, à apresenta ilustre e magnífica, como  fora ela um dia, considerada pelos poetas, Maruim foi uma princesa que surge mimosa, simples e pacata, mas aos poucos torna-se rainha ou até mesmo imperatriz naquilo que teve de belo, seu povo, desde o estrangeiro ao filho nato, que buscava nos grandes ou pequenos edificá-la ao seu patamar mais elevado, sua memória, sua história, seu povo maruinense. E isto a escritora filha da terra, Maria Lúcia Marques Cruz e Silva fez e continua fazendo muito bem. Sua preocupação e seu zelo pela nossa história serão cada vez mais eternizados. Uma grande escritora que procurou demonstrar Maruim de uma forma atraente e apaixonante aos seus filhos, e que a cada dia continua a nos apresentar grandes revelações sobre esta imponente majestade. Maruim, nosso orgulho, nossa cidade.

Poderia citar inúmeros maruinenses que não cessam de elogiar a bela Maruim de todos os tempos, desde o seu antigo potencial de empório de Sergipe (sec.XIX) aos dias atuais uma cidade em evolução. Podemos citá-los os poetas de hoje que procuram através dos seus versos, reviver os tempos de outrora, buscando um presente em ascensão para melhores dias no futuro. São estes os poetas: Hefraim Andrade, Eduardo Bittencourt, Joelma Martins e outros cuja identidade não sabemos, mas que por certo contribuem para o desenvolvimento da cidade seja qual for a forma de acréscimo.

Aos poetas maruinenses que contribuíram e ainda contribuem com a nossa história, nosso muito obrigado! Que continuemos a alimentar com as luzes do conhecimento este povo rico em história e honra, ainda disperso no seu enorme potencial.

Parabéns Maruim, Parabéns a todos nós!

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| Joelma Martins é Licenciada em Letras Português (UNIT) e Bacharel em Biblioteconomia e Documentação (UFS). Pós-Graduada em Didática do Ensino Superior e Gestão Educacional. Escritora, Cordelista, Poetisa, Bibliotecária do Gabinete de Leitura de Maruim e imortal na Acadêmica Maruinense de Letras e Artes, ocupa a cadeira Nº 8, cujo a patrona é Josilda de Mello Dantas. | 

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