Série ‘Eternos’: Conheça o escritor Voltaire | Por Joelma Martins

O Eterno Voltaire 

François-Marie Arouet, (1694-1778) conhecido pelo pseudônimo Voltaire, nasceu na França em 21 de novembro de 1694, morreu em maio de 1778. É incontestavelmente considerado por grandes estudiosos e seguidores da sua teoria como o maior escritor da Europa. Ele e Rousseau foram duas vozes marcantes que contribuíram para um vasto processo de transição econômica e política da aristocracia feudal para o governo de classe média. Um homem muito admirado por defender ideais que comungavam com iluminismo tais como, liberdades civis, liberdade religiosa, defendia o livre comércio, combatia o absolutismo, criticou o poder da igreja Católica e sua interferência no sistema político, sendo um grande influenciador de alguns pensadores da Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos.

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Foto | Acervo Joelma Martins

Grande filósofo e suas ideias colaboraram com as transformações ocorridas na Europa no século XVIII, convivendo com poderosos, várias vezes fora perseguido por eles e até preso. Suas teorias tentavam iluminar o mundo com ideais de transformação para uma sociedade mais justa e igualitária, procurando despertar no homem o mundo obscuro em que vivia, que segundo ele, era imposto pela tradição de poder do rei e pela fé da Igreja Católica. Defendendo sempre que para se chegar a verdade absoluta era somente através do conhecimento profundo de todas as coisas, que para ele estava baseado na ciência e na razão. Embora a igreja católica tenha sido sua principal adversária, ele era crítico do judaísmo, islamismo e cristianismo, afirmando que as mesmas impunham sua fé por meio da lei e da guerra, classificando-as como absurdas e ridículas.

Criticava a política francesa afirmando que a burguesia era pequena e ineficiente e a aristocracia parasita e corrupta, e a igreja estática e opressora. Desconfiou da democracia dizendo que esta serviria apenas para perpetuar a ignorância e a grande quantidade de analfabetos existente na França. Por ser considerado um grande agitador cultural e divulgador de suas ideias, e ao publicar versos gozadores sobre os governantes foi preso na Bastilha (1717 e 1718) foi nesse momento que adota o pseudônimo de Voltaire e escreveu o Édipo(1718).

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Foto | Acervo Joelma Martins

Em suas posições críticas ao sistema dominante e opressor, Voltaire se voltou com grande força aos setores fanáticos e intolerantes da igreja, provocando cada vez mais a ira do poder dominante na França, fazendo com que seus pensamentos fossem disseminados através de panfletos, livros e declarações e num deles que dizia: “Não deixemos que os intelectuais sejam dominados pelos que não são. Só assim a geração futura nos deverá a razão e a liberdade. Esmaguemos os infames”. Por pensar contra estas autoridades constituídas seus livros eram queimados ou destruídos em praça pública. Mas sempre existiam aqueles que conseguiam guardar alguns exemplares e suas ideias continuavam a ser propagadas.

Suas teorias filosóficas causavam repercussão na camada superior da sociedade, que muitas vezes o punia com enormes sanções visando barrar suas afirmações, porém só aumentavam cada vez mais o número de seus seguidores. Grande admirador de Isaac Newton, foi ao seu funeral e quando alguns filósofos discutiram qual seria o maior dos homens, alguém lá no fundo respondia: – Que sem dúvida alguma era Isaac Newton. Porque para ele forte seria aquele que domina com a força da verdade, não àqueles que escravizam pela violência e que devemos nossa reverência. Voltaire era de fato um grande defensor de suas ideias.

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Foto | Acervo Joelma Martins

Certa vez quando se apaixonara pela duquesa e roubando-lhe do seu duque disse a seguinte frase: “ um grande homem, cujo o grande defeito é ser mulher” reconhecendo na mulher um ser de intelectualidade em ascensão, afirmando com convicção de que a igualdade mental é inata aos sexos.

Estando exilado no castelo de Ferney, onde recebia vários amigos para com ele aprenderem filosofia. Ele fez a um deles a seguinte pergunta: Qual a diferença entre vós e Dom Quixote? Respondendo ele o seguinte: -“Ele confundia estalagem com castelo e vós confundis castelo com estalagem.” E acrescentava: “Deus me proteja dos amigos, concluiu: dos inimigos eu mesmo cuido.”

Algumas de suas frases que ficaram marcantes:

“Posso não concordar com nenhuma palavra que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”

“Se o homem nasceu livre, deve governar-se; se ele tem tiranos, deve destroná-los.”

“O trabalho poupa-nos de três grandes males: tédio, vício e necessidade. ”

“A poesia é a música da alma, e, sobretudo, de almas grandes e sentimentais. ”

Escreveu mais de 70 obras sendo elas: ensaios, romances, poemas, peças de teatro e obras teóricas. Algumas de suas obras:

Édipo (1718)

Poema de Liga (1723)

A Henríada (1728)

O infante pródigo (1736)

 A princesa da Babilônia (1768)

Obras catalogadas no acervo do Gabinete de Leitura de Maruim.

Voltaire a Ferney As correspondence – Paris 1860

DROITE DES GENS – Principes de La Loi Naturelle – Paris 1863

No catálogo do acervo não foram encontradas outras obras do autor, talvez seja pelo fato de não serem encontradas suas obras com facilidade, devido ao fato de muitas delas serem destruídas ou queimadas por grupos de intolerância. Ou por falta de interesse dos intelectuais que fizeram parte do gabinete.

Referências

Catálogo do Gabinete de Leitura de Maruim – 1932-1933

Voltaire, Cândido ,ou, O Otimismo. Adap. José Arrabal. Série Reencontro. São Paulo. 1997.

http://www.todamateria.com.br>voltaire. Acesso em 08.04.2019.


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Joelma Martins é Licenciada em Letras Português (UNIT) e Bacharel em Biblioteconomia e Documentação (UFS). Pós-Graduada em Didática do Ensino Superior e Gestão Educacional. Escritora, Cordelista, Poetisa, Bibliotecária do Gabinete de Leitura de Maruim e imortal na Acadêmica Maruinense de Letras e Artes, ocupa a cadeira Nº 8, cujo a patrona é Josilda de Mello Dantas. | 


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